quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Japoc


Já pouca
Já toda
Já louca
Já nossa
Já!
De São Julião
A Juca Tocado
Doidão/Adoidado

Declaração de amor


Gorda feia! Lá lá lá! Lé lé lé! Lelé da cuca, cuqueira curandeira, que arrebanha meninos e faz deles meninas. Velha gorda, velha gorda! Sem cara, sem rosto, com cabelo sem barbeiro: uma macaca! Barata bruaca bruxa!

Mas eu te amo!

Toquei piano até a morte dos meus gestos - as mãos sangraram: adoro seu jeito de ler minha mente na sua bola de cristal e quebrar o silêncio dos meus pensamentos num terreiro de macumba. Espero que se exponha transcendendo a barreira descritiva que a faz gorda ou bruxa (xabruí, quebra odargo que quis iafe, mas disse magra e bonita, fazendo de tudo uma coisa só. Arcaxanabrundi!). Mão de santo, preta veia, Maria loca, Xuxa de cobra, Abá Sanro. Minha doce Taya! Minha música é pobre, simples, ruim - não te deseja e te teme. Música cantada sem melodia, com rimas superficiais e lelés fugidios. Tenho o coração gelado, meu bem... E congelados estão esses papéis e tintas dessa mancha que te escreve. Me perdoe!

sábado, 17 de julho de 2010

Catando do chão


Hoje eu voltei de um lugar ruim e tudo o que eu queria antes eram paredes com crianças enfileiradas de narizes sangrando tinta guache. As paredes brancas nem sabiam a luz que precisavam ou se tinham que esconder seus riscos e suas sujeiras. A luz da lanterna marca um alvo: luz amarela que expõe o palco. Mas não era nada disso que queria... Necessitava da força encontrada na dor. Dor de passados que não passam.

Embora tudo ainda me atormente, um hoje penetrou pelo meu sossego até chegar na minha zona de ação, e minha atitude perante a vida foi fazer o que fosse mais fácil de fazer, porém de primordial feitura. Qualquer energia em frente é bem-vinda. No teen-against! Sem berços desovando filhotes da raiva sem-noção. Um diálogo ainda pobre, carregado da munição tola de toda essa juventude que teme o passar dos anos. Acabou aqui! E o que temos? Quem somos e qual nossa marca - nem perguntas conseguem ser. Deveríamos ter sido escolha antes que tentassem tirar nossa cara e substituir pela engrenagem que sorri ordem. Perdemos a paz na ordem e a ordem se fudeu. Estalei os dedos sob o comando de cérebro alheio. Antes, quando vivia, saia de casa apressado pra ser alguma coisa.

E fui. Lembro de ter feito alguma coisa, ouvido alguma coisa... Falado um pouco talvez, não mais que duas palavras e relaxado por não precisar pensar no que fosse. Saí de lá bem. Mas bem, bem, bem nem ele que me queria tão bem soube ser merecedor do bom que todo bem pode trazer. Então não foi bem assim. Mas saí de lá andando. E eles me seguiram e eram muitos, juntos de risos debochados que riam de mim. Cavei o que de ridículo trazia na minha aparência, mas fui atormentado pela possibilidade de estarem vendo além disso. E realmente não viam nada do que era por fora. Viam meu ridículo interior! Toda babaquice e caretice que nunca me cansou. Continuaram pelo mesmo caminho que eu, me assustando com os medos que tinha construído. Ao invés de encará-los, busquei outros caminhos na tentativa de despistá-los, e disse gritando que aqueles rostos não eram meus. Cheguei finalmente em casa por atalhos diferentes dos deles. Tranquei a porta, entrei no quarto, coloquei Sonic Youth e fingi que tinha um cigarro pra fumar e amigos pra chegar. Fucei folhas em branco, escrevi bobagens em tópicos pelas paredes e coloquei tinta debaixo do nariz. BUM! A revolução estourou do outro lado da tela e chorei sem parar... "não me custou um centavo, era caseira."

Não sei se vou continuar nessa luz que me cega.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tarde de ódio, política, amor, pesadelo e fé no orkut

Eram duas da tarde num domingo quando um perfil chamado @Fábi°* resolveu postar numa comunidade chamada "Ódio Aleatório", que zelava pela mútua compreensão desse sentimento talvez incompreensível. O perfil clicou em "nova postagem" e começou a digitar: "Olá, nem sei se permitem isso na comunidade, mas pensei em criar um tópico-caixa, onde toda vez que alguém ficasse muito puto com alguma coisa aleatória, pudesse despejar suas merdas."

Para começar: Hoje eu odeio esquemas!

Tudo tá tão esquematizado pra se pensar, agir, falar de determinada maneira que parece que já decorei as falas dos outros e as minhas. Sem contar que esquema é uma palavra complicada porque lembra tático que lembra futebol que lembra vencer que lembra prepotência que lembra capitalismo selvagem que lembra desigualdade que lembra injustiça que lembra revolta que, por sua vez, lembra ódio enfim."

O tópico foi postado e a página permaneceu estática por cinco ou seis minutos. Foi então que o perfil @Fábi°* voltou para sua página principal, visualizou suas fotos recentemente postadas e verificou a contagem de comentários (igual a zero). Ficou preso nessa reverificação até decidir (e digitar) ele mesmo um comentário na foto 017 do álbum "cada vez mais longe...".

O comentário foi feito e desfeito sete vezes. Um amigo perfil Ana§Vote15§ deixou um recado na página de recados de @Fábi°*
"Oi, pasando pra lembrar de votar 15 semana q vem!!! Vlw. conto c/ vc! Bjs.te/amo.."

Ele clicou em responder a mensagem e ctrl+c no "te/amo" acrescentando "tb!". Hesitou em enviar, mas enviou mesmo assim, indo em seguida visitar o perfil Ana§Vote15§. Visualizou todos recados. Leu e releu o seu, recomeçando toda a checagem uma segunda vez. Sentiu ciúmes de alguns perfis que também amavam Ana. Ficou com raiva de si mesmo. Fugiu pros álbuns da menina. Todas as fotos com sorrisos mostrando os dentes e uma dedicada a um homem: um cartaz com a seguinte inscrição "Robierto Alvez: Vote no centroavante! Vote pelo avanço! Vote 15!". Ctrl+c novamente - copiou a legenda da foto e a salvou na área de trabalho. Uma revoltinha crescia dentro. Clicou em comunidades, mas recebeu um recado de um outro perfil. Em sua página de recados, os dizeres:

"Oi, pasando pra lembrar de votar 15 semana q vem!!! Vlw conto c/ vc! Bjs.te/amo.."


Era do perfil Lei²linha.


Subitamente a tela se apagou e as palvras sumiram. O computador reiniciou sozinho. O que ele escrevia em resposta foi sugado pelo espaço obscuro do não-existir. A tomada do computador trabalhava hesitante, com mal contato, e o estabilizador piscara centenas de vezes, mas Fábio não tinha percebido. @Fábi°* desapareceu, sobrou Fábio. Perdeu o ctrl + c e as ideias que tinha. Esqueceu a raiva anterior e chutou CPU. Restou apenas o número quinze na configuração mental repetitiva do provedor humano Fábio. E esse número ficou tão grande que o engoliu num pesadelo enquanto cochilava sono inquieto de meio da tarde. Acordou assutado e carente. 

Apertou os botões orando para que o computador ligasse em paz.